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Enquanto escrevo esse texto eu comemoro em silêncio o meu primeiro mês na aqui Ilha da Esmeralda. Há exatos trinta dias eu deixei parte da minha vida e do meu coração do outro lado do mundo pra embarcar em um avião que me trouxe a uma realidade que eu sempre sonhei.

De uma forma resumida, nesses últimos dias eu andei vivendo e entendendo melhor o real sentido daquela frase que diz que o homem não pode descobrir novos oceanos até que tenha a coragem de se desprender da terra até não ve-la mais. Mesmo que tentasse por horas eu não seria capaz de encontrar definição melhor do que a do André Gide para esse tipo de sentimento, para essa minha atual situação.

Viver em um país diferente, receber milhares de novas informações a cada segundo e ter que aprender a conviver e lidar comigo mesma suprindo as minhas próprias necessidades (que antes passavam despercebidas) não tem sido a coisa mais fácil e linda do mundo, mas tem sido incrível.

A cada dia eu aprimoro ainda mais as minhas habilidades na hora de resolver e lidar (sem pânico) com os meus novos grandes problemas e isso me enche de orgulho. Sempre que algo totalmente inesperado acontece a vida já se encarrega de me relembrar que nada na vida dá errado e que não é por acaso que eu vim parar aqui. Aí mantenho a calma, paro de tentar ter o controle sobre tudo –porque aqui eu definitivamente não tenho controle sobre nada– e tudo fica bem.

Entre uma experiência e outra o meu sketchbook recebe cada vez mais anotações – desde a dicas de viagens, lista de super mercado até controle financeiro – e obviamente, entre algumas dessas páginas estão também aquelas minhas sinceras observações cotidianas.

Hoje eu resolvi juntar algumas delas e resumir pra vocês as minhas primeiras impressões sobre a minha nova vida aqui na Irlanda.

 

A cidade

A maioria dos dias em Dublin são cinzas e isso a faz uma cidade melancolicamente linda. Se eu fosse representar Dublin em forma de pessoa ela seria aquela mulher e/ou homem de comercial de margarina que acorda com o rosto amassado e vai até a cozinha pra te dar um abraço.

Aqui os trêns, ônibus, carros, bicicletas e pedestres são capazes de usar uma mesma rua praticamente ao mesmo tempo em sintonia.  A temperatura mais quente e a mais fria da semana podem acontecer em um mesmo dia e ninguém dá a minima pra chuva.

Depois de morar duas semanas por aqui você já começa a encontrar conhecidos nas ruas e nos supermercados e já começa marcar encontros em pubs com pessoas que encontra pelo caminho. Fim de semana é literalmente, todo dia depois do horário de trabalho.

De fato, Dublin não é a cidade dos sonhos de quase ninguém. Não tem Torre Eiffel, não tem Big Ben mas aqui temos o sentimento de estar um pouco mais pertinho de casa.

 

As pessoas

Uma vez ouvi dizer que os Irlandeses eram os Brasileiros da Europa e até chegar aqui não entendia isso muito bem. Hoje mesmo que sem ter tido tanto contato assim com irlandeses (eles não são maioria em Dublin), já vi que temos sim alguns pontos em comum.  Pra começar, ambos somos receptivos e adoramos uma festa. Eu me sinto a vontade aqui.

Eles também são atenciosos. A maioria das pessoas na rua param o que estão fazendo (motorista de ônibus, caixa de banco..) e te dão informação até você entender caso você não saiba onde está indo.

Quem trabalha no comércio sente prazer em te atender bem e mesmo que de alguma forma você não consiga se expressar, sempre vai ter alguém tentando te entender.

A palavra que mais se ouve pelas calçadas sem duvidas é a palavra Sorry. Todo mundo pede desculpas por qualquer coisa. Por esbarrar na rua, por passar na sua frente enquanto você olha alguma vitrine. Sorry por qualquer coisa mesmo quando a situação não tem um ”culpado”.

O que mais me assusta sobre os Irlandeses (e europeus em geral) é que eles comem sorvete andando pelas ruas mesmo em dias exageradamente frios.

 

O idioma

Dublin tem tanto brasileiro que os Irlandeses já são capazes de entender e conjugar verbos em português até mesmo no diminutivo. Não da pra falar nada em português achando que ninguém vai entender, porquê certamente alguém vai.

Sobre o meu inglês: Fiz  com muito sucesso um B.O. na policia (sozinha e em desespero) e recebi até elogios do policial, mas ainda sinto falta um pouco de vocabulário na hora de me expressar.

Os professores de inglês daqui já aprenderam a falar português e já possuem super conhecimentos gerais sobre várias partes do Brasil.  Eu vou voltar pra casa falando Inglês, expressões em Irlandês, frases prontas em diversas outras línguas e português com sotaque de todas as regiões do Brasil.

 

Os amigos

Quando cheguei aqui logo percebi que morar com mais de 20 pessoas diferentes em menos de 2 meses é algo super normal e aceitável. Antes se isso se passasse pela minha cabeça eu logo pensaria: loucura!

Ter alguém com quem poder contar e confiar é algo de extrema importância quando você está totalmente sozinho em um novo lugar. No Brasil essa pessoa certamente seria um amigo de infância, aqui a gente aprende que assa pessoa não precisa ser alguém que você conhece por muito tempo. Os laços são bem mais intensos.

A cada dia aqui é possível conhecer alguém novo, de um novo lugar, com novas culturas e isso é definitivamente uma das coisas que mais me encanta. É fácil assim: só ir até a esquina (ou a um pub) sorrindo.

No fim de uma noite (ou depois de algumas noites) é possível perceber que Cheers não é só uma saudação. Cheers é uma palavra cheia de afeto, Cheers é um estilo de vida.

 ♥ ♥ ♥ 

A aventura por aqui começou assim. Sentindo na pele o propósito da vida, aprendendo a desvendar o verdadeiro sentido da minha existência.

Todos os propósitos estão aos poucos sendo cumpridos.  A vida está que sendo vivida, as emoções estão sendo sentidas, o mundo está sendo explorado.


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quarta-feira, 16 de março de 2016.

O brasileiro precisa aprender este termo, Sorry. Ele muda o mundo!


quarta-feira, 16 de março de 2016.

tava com saudades dos teus posts, tanto aqui quanto no instagram. acho que já falei isso mas, amo teu jeito de ver (e viver) a vida. mas porque você precisou fazer um B.O.???


sábado, 19 de março de 2016.

Oieeeee, estou participando de uma tag no blog e indiquei o seu blog para responder, vem dar uma olhadinha

http://miletrescoisas.com/2016/03/tag-liebster-award-descubra-novos-blogs/


domingo, 20 de março de 2016.

Achei incrível seu post! Estou louca para fazer meu intercâmbio e viver essas emoções.

Beijos!

http://www.viveresemaquiar.com


segunda-feira, 21 de março de 2016.

Ai que delícia <3
Nossa, me deu uma vontade imensa de viajar também, rs.
Até arrepiei no final.

Amei o post!
Tinha tempo que não vinha por aqui e já me arrependi de ter perdido os posts desse tempo, rs.

Beijo, beijo!
Espero ansiosa por mais coisas sobre Dublin *-*


terça-feira, 22 de março de 2016.

Emille do céu, assim você destrói meu coraçãozinho. Não vejo a hora de fazer o meu intercâmbio e ler esse seu post me fez pensar se um dia conseguirei fazer um assim, com tanta emoção sobre o lugar que amo conhecer.
Ansiosa pelos próximos posts!
http://www.desencana.com

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