Um dia de folga e a vontade de conhecer um pouco mais da cidade onde a gente mora foi o que nos fez pegar a estrada e ir pra Howth.

Localizada a uns quarenta minutos do centro da capital, Howth é um Vilarejo que faz parte de Dublin. A região é bem pequena e por isso surpreende quando o assunto é diversidade de atividades deliciosas pra fazer.

Por ser uma região de pescadores a ”atração principal” da região é o Porto. A maioria dos visitantes vai até o Vilarejo para caminhar pelo pier (e admirar os barquinhos!), visitar o farol e comer, já que é possível encontrar várias opções de restaurantes aconchegantes com comidas bem fresquinhas e por um preço bem diferente do que se encontra nas regiões centrais da cidade pelas redondezas.

Mas não só de pescadores é composta Howth. Pequenos produtores e comerciantes dominam o comércio e fazem a alegria de quem gosta de comidinhas orgânicas e naturais. Semanalmente eles apresentam seus produtos que são, muitas vezes, 100% Irlandeses e feitos a mão em uma feirinha muito bem estruturada e localizada.  E foi justamente isso que a gente acabou fazendo a maior parte do nosso tempo por lá. Experimentando novos sabores e tirando novas fotos para preencher os porta retratos de casa.

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O que você achou desse passeio? Deu vontade de visitar também? Escreva aí nos comentários! A caixa de comentários via Facebook está de volta : )

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Desde que eu aprendi que todas as coisas que acontecem nas nossas vidas são necessárias (inclusive as piores delas), eu reduzi pela metade os meus momentos de sofrimento. As vezes é difícil entender –quanto mais explicar– mas quem esteve por aqui, no planeta terra, e presenciou esse último entre nós, meros mortais, provavelmente sabe do que eu estou falando.  Dois mil e dezesseis foi o ano das SUPER transformações, e por isso, foi um ano um tanto quanto dolorido.

cáos que a gente viveu –e vez e outra ainda vai continuar vivendo – está proporcionalmente ligado com o tamanho do nosso crescimento, do nosso amadurecimento e da nossa evolução. Foi tudo tão intenso que em um ano eu “envelheci” pelo menos uns dez. E foi bem assim que 2016 contribuiu nas nossas vidas: nos ensinando várias lições que sem sombra de dúvidas vai fazer o nosso 2017  melhor.

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Os nossos últimos 365 dias nos ensinaram que…

-Tudo é temporário –  E por isso, quando algo acabar, não é preciso entrar em pânico.

A grande necessidade que o ser humano tem de possuir e consequentemente a abstinência dela, foi o que chocou muita gente desde que o calendário mudou pela última vez. Na pratica não é tão fácil mas a teoria é simples: Nem o dono da maior riqueza do mundo pode possuir o seu tesouro pra sempre.

Muitas das mais lindas histórias de amor chegam ao fim. Pessoas não duram para sempre do nosso lado, se for o momento delas partirem, elas partirão.

Até mesmo os Dinossaurosaqueles animais grandes e cheios de força foram extintos. O ser humano em algum momento entre os milhões de anos que o nosso planeta pretende existir, também vai desaparecer.

Nada além da nossa existência é permanente nesse mundo e essas são só algumas provas de que não há motivo para um grande pânico. 

A partir do momento que passamos a encarar todas essas desconexões e sacrifícios como formas de aprendizado, ganhamos uma força extra para seguir o nosso caminho. We are only temporary players in everyone else’s permanent existence.

 

-Ser livre é muitas vezes se sentir sozinho – A liberdade nos exige uma boa dose de coragem

Um passarinho quando aprende a voar sabe mais sobre coragem do que de vôo, já dizia Lucão.

Liberdade tem um significado diferente para cada um, e pra mim, é poder estar onde e quando eu quiser, onde eu me colocar.

Pessoas tem diferentes prioridades e ambições e nem mesmo a pessoa que mais te ama no mundo (vulgo aos seus pais/família) vai poder te acompanhar de perto sempre caso você decida ir longe, em busca das suas realizações.

Existem sim casos onde duas ou mais pessoas caminham juntas, quando ambas partes tem objetivos em comum, e mesmo quando isso acontece é importante nunca esquecermos que a nossa liberdade termina onde começa a do outro.

De mãos dadas ou mãos livres o aprendizado existe. A solidão nos ensina tanto quanto uma boa companhia.

 

 -A nossa felicidade precisa vir em primeiro lugarE a gente precisa parar de achar que isso é egoísmo

Muito me frustrei por gastar minha preciosa energia tentando agradar quem nem se importa tanto assim comigo. Muito me frustrei tentando corresponder as expectativas de pessoas aleatórias que esperavam um certo resultado de algo que nem sempre eu estava disposta a fazer. Hoje eu já não sei como seria melhor me definir durante esse tempo, se como uma marionete ou bobo da corte. Sei que me libertei.

Quem vive para os outros, acaba não vivendo e por isso eu sempre digo: Se priorize.

Prezar pela sua própria felicidade (desde que não prejudique o próximo) não é egoísmo.

 

-A atitude alheia não deve afetar a nossa atitude –  Cada um faz o seu melhor de acordo com a sua consciência.

Serve não só para quando se fala sobre o comportamentos e atitudes mas também para diversos outros pontos da nossa vida: Os resultados, respostas e reações que a gente espera receber são fortemente relacionadas com a forma com que a gente se posiciona quanto a elas.

Nós não podemos mudar o sentimento que as pessoas têm pela gente, mas podemos mudar a forma com que a gente se coloca em frente a elas e então assim, elas mudam (ou não) de opinião por conta própria.

Aquela expressão ”Fool me once shame on you, Fool me twice shame on me” me incomoda. Na minha humilde concepção, ”Fool on me once shame on you, Fool me twice >shame on you again<” soa muito melhor. Pagar na mesma moeda muitas vezes já não cabe mais.

Não deixar que as vibes ruins dos outros nos afete e nos tire do nosso equilíbrio é questão de prática. Cada um faz o seu melhor de acordo com a sua consciência e se a consciência de alguns é pequena demais, isso não é problema nosso.

 

-Criticas e julgamentos são APENAS críticas e julgamentos – Não de atenção e poder para as coisas destrutivas do universo.

Sou filha de psicóloga e se existe um pensamento sábio que a minha mãe compartilhou comigo sobre julgamentos nesses últimos dias é de que ‘‘Ninguém na sala de espera sabe a história inteira”. Por isso, devemos evitar ao máximo criticar e dar ouvidos a criticas destrutivas.

Não sabemos quais os traumas as pessoas carregam. Não podemos exigir que o vizinho tenha a mesma percepção e a mesma sensibilidade que a nossa quanto a determinado assunto ou situação. Não da pra exigir que alguém compreenda algo que está longe do seu campo de entendimento.

O ser humano vive diversas fases de evolução. Uns são mais mentalmente saudáveis do que os outros.

 

-Quem somos hoje não é necessariamente quem precisamos ser amanhã – Metamorfoses não são restritas as borboletas

Já passou da hora de mudanças drásticas continuarem sendo encaradas como algo anormal. Quem nós somos hoje não é necessariamente quem devemos ser amanhã ou depois, mas é muito importante que não importa como, continuemos sendo nós mesmos.

A imagem que construimos afeta não só a percepção dos outros como a nossa também. Tenhamos cuidado, tentar ser outra pessoa é um desperdício de quem nós somos. 

 

-Tudo pode ser feito de um jeito diferente – Nós não estamos fazendo nada errado

Diversos caminhos nos levam a um mesmo lugar. Não é porquê algo está fora do planejamento que necessariamente estejamos fazendo algo errado. O mundo é cheio de possibilidades e é importante que possamos conhecer algumas delas. Rotas alternativas não deixam de serem rotas.

 

-Não existe tempo certo para realizar o seu sonho – O nosso momento não é mesmo momento do outro

Já conheci de perto adultos sem personalidade formada que caminham sem saber onde vão. Já conheci adolescentes decididos que poderiam me dar 99,9% de certeza de que sabem aonde irão chegar. Por isso eu digo e repito: Tempo é relativo. Números são representativos.

Meus pais se graduaram pela segunda/terceira/quarta vez por volta de seus quarenta/cinquenta anos. Eu vim sozinha pra Europa pela primeira vez aos dezesseis e hoje, aos dezenove, moro sozinha na Irlanda e pago minhas próprias contas. Nós somos os números baixos das estatísticas que nos mostram que para realizar os nossos maiores sonhos não existem regras.

O calendário mudou e a gente mudou também. Agora mais do que nunca, nós sabemos que se permanecermos focados e otimistas nós venceremos qualquer obstáculo.

A gente aprendeu que desistir não é uma opção porquê o que está por vir é, sempre foi e sempre vai ser sempre melhor do o que passou.  

Ps: Feliz ano novo (atrasado) e muito obrigada do fundo do   por estarem sempre admirando minhas fotografias e acompanhando minhas histórias. O meu ano foi foi incrível porquê vocês estavam aqui.

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Halloween não é uma data que faz parte da nossa tradição no Brasil, mas mesmo assim, não lembro de ter passado sequer um ano da minha vida sem comemorar, com festa, o famoso ”Dia das Bruxas”.

Eu já tenho alguns bons anos de experiência fazendo abóboras iluminadas mas nunca antes havia sentido o verdadeiro espírito do Halloween; Outono, folhas alaranjadas voando pelo chão enquanto crianças correm pelas ruas batendo de porta em porta pedindo doces, pessoas de todas idades andando pela cidade fantasiadas dos seus personagens favoritos.

O Halloween é uma comemoração/ritual Celta que teve inicio aqui na Irlanda e nas Ilhas Britânicas há cerca de dois mil anos atrás. Eu, que sempre tive a impressão de que o Halloween era algo mega Americano, agora que descobri que tudo isso começou aqui, entendi o porquê deles levarem essa data tão a sério.

A comemoração durou quase uma semana e tudo foi decorado com tanta impoortância quanto se decora casas e vitrines para o Natal.

O Temple Bar, aqui em Dublin, ficou com uma atmosfera tão divertida quanto durante o St Patricks Day (leia o post sobre o St Patricks Day clicando aqui). Ter vivido mais essa data especial em solo Irlandês só me fez relembrar o quanto eu gosto de estar aqui.

Aqui, onde as pessoas interagem sem receio umas com as outras nas ruas e assim, muitas vezes acabam se tornando amigas, mesmo que por uma só noite; Onde há sempre um tempinho para dar uma passadinha em algum pub; Onde não há problema que não possa ser resolvido com um (ou uns) copo de cerveja.

Onde se encontram diversas culturas e todos se divertem, se amam e vivem como um mesmo; Onde se ouve, se vive, se conta e se faz história.

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Exatos oito meses se passaram desde coloquei meus pés aqui na Irlanda e desde então, Dublin tem sido uma espécie de Santiago de Compostela pra mim.

Durante essa caminhada, são inúmeras as lições que eu já aprendi. Uma delas –mas não mais importante– é que o tempo é mesmo algo extremamente relativo. O tempo que passou voando pra mim -e fez milhares de coisas mudarem- é o mesmo que passa devagar para os meus pais e amigos que aguardam ansiosamente pela minha visita.

Não importa de qual perspectiva, a verdade é que uma série de dias já foram enfrentados, o meu visto já está prestes a vencer e a ser renovado e ao organizar toda a documentação necessária para começar o segundo capitulo da minha vida por aqui, eu me peguei refletindo sobre o quão indestrutível eu me sinto agora, depois de todas essas vivências. Sobre como morar fora nos faz criar uma grande resistência para dor.

Eu ainda acho engraçado a maneira com que as pessoas as vezes idealizam o morar no exterior como algo extremamente maravilhoso. Parte da cidade em que eu costumava morar certamente imagina que eu vivo em um lugar onde o frio é o que me deixa mais bonita, onde o fim do expediente vem acompanhado de um café do Starbucks e onde eu como queijo fino e bebo vinho todos os dias no jantar. Tem gente que ainda acredita que em país de primeiro mundo não existe problema, tristeza, corrupção.

Aqui do outro lado do oceano nós realmente não pagamos muito caro em vinhos, queijos e perfumes importados como no Brasil, e motivo é bem simples, tudo isso é produzido aqui. Entretanto, nós pagamos um preço alto para viver coisas inimagináveis, que nem sempre são as melhores ou ao menos tão prazeirosas quanto um aroma Dior.

A gente paga um preço alto para nos vermos em posições que jamais esperaríamos nos encontrar vivendo. Sentimos coisas que nem sabíamos que eram possíveis serem sentidas. Tudo parece uma surreal grande descoberta e de certo modo essa não é uma conclusão tão equivocada assim. Afinal, grande parte disso foi surreal até chegarmos aqui.

Uma vez que o inimaginável se torna real e nós conhecemos –ou enfrentamos– um pouco mais do que existe fora da nossa zona de conforto, nos tornamos quase que indestrutíveis.

Mal sabem esses que me imaginam vestindo caros óculos escuros com uma taça lustrada na mão, que desde que cheguei aqui já me vi, vivi e senti coisas que a internet jamais será capaz de transmitir.

Já tive que ouvir, ver e conhecer pessoas e opiniões desumanas. Já tive que ficar quieta quanto a essas situações. Mal sabem esses que foram justamente com essas pessoas que eu aprendi a ser ainda melhor.

Mal sabem esses que não foi uma ou duas vezes que eu acordei em um lugar desconhecido me sentindo -quase que- completamente sozinha. E que por causa disso, eu já paguei um aluguel mais caro que um hotel 5 estrelas. Mal sabem esses que eu já fiquei sem lugar pra morar duas semanas depois de ter me mudado. Que eu já fiquei doente sem ter ninguém pra me cuidar.
Mal sabem esses que eu já sofri aqui por algo que aconteceu aí, bem longe. Sofri por estar aqui e não pude fazer nada. Eu também j
á vi uma das minhas melhores amigas descobrir gravidez, de longe. Já vi uma pessoa querida partir, de longe. Eu não pude fazer nada. 

Mal sabem esses que eu já vi -e também senti- o meu (ex) namorado ir embora; E não muito tempo depois,  já o vi encontrar outra namorada que não é nada e nem um pouco do que eu esperava que a minha substituta fosse. Que bom que o tempo é mesmo relativo, assim, mesmo sem esperar ou desejar, eu também já me permiti apaixonar de novo.

Eu já dormi em um chão de estação de trem e minutos depois acordei com a polícia nos cutucando falando em francês. Já fiz novos grandes amigos que me acompanharam nessas loucuras cotidianas e já chorei ao os ver partir. De volta pra casa.

Já viajei quatro horas por dia para trabalhar duas porquê precisava de um documento. Todos os dias por mais de mês.

Mal sabem esses que eu já chorei. Muito. Já chorei muito internamente.

De exaustão. De tristeza após receber ligações da minha mãe chorando de saudades. De me sentir livre e mesmo assim não conseguir mudar o mundo. De felicidade ao me olhar no espelho, enxergar o eu que existe dentro de mim e por um triz quase não me reconhecer.
E nesses caminhos que o estilo de vida que eu escolhi seguir vez e outra me apresenta, eu tive o prazer de conhecer alguém que nunca perde a oportunidade de me lembrar o quanto eu sou uma pessoa poderosa.

Eu agradeço a ele pelas palavras e a Irlanda por ter me transformado tanto assim. Foram através de todas essas experiências, boas mas principalmente as ruins, que hoje eu construi o meu próprio escudo. E ele é leve e poderoso, assim como essa nova eu.
Aqui é onde eu escrevo sobre as coisas mais lindas da minha vida, e por favor, não pense que esse texto não é mais um deles.

Eu só precisava  aqui deixar registrado o tamanho da minha satisfação por ter uma bagagem pessoal que cresce mais a cada dia. Uma babagem repleta de coisas valiosas que assim com eu disse anteriormente, não pesam.

Comigo eu carrego um escudo que servirá pro resto da minha vida e quem sabe até mesmo na próxima. Eu carrego um passaporte cheio de carimbos que serão para sempre lembrados. A minha bagagem ainda é pequena mas eu juro, ela é repleta de coisas incríveis. Hoje eu apelido a minha bagagem de liberdade e é justamente por isso que ela não pesa. A minha liberdade é leve e voa sempre junto comigo.

Vez e outra ainda me perguntam se realmente vale a pena deixar tudo pra trás pra viver aqui, em um continente que muitas vezes mais se parece com uma outra dimensão. Por isso eu precisava aqui deixar registrado.

Sintam-se a vontade para ler esse texto quantas vezes quiserem e se ainda assim houverem dúvidas, não hesite em perguntar.

A resposta vai sempre, o meu mais sincero sim.