O mundo cabe na minha lente

Dias de céu azul aqui em Dublin sempre me fazem exaltar felicidade e relembrar o quão bom é acordar cedinho e dar de cara com a vida que eu sempre sonhei.

E hoje eu acordei assim; Com a certeza de que nunca estive tão satisfeita com a minha vida e super orgulhosa por semear, cultivar e carregar dentro de mim o sentimento de estar criando um futuro tão bonito mesmo sendo assim tão nova.

As vezes eu me pego aqui olhando o meu feed do Instagram durante horas. É uma verdadeira terapia admirar e recordar a caminhada que eu já fiz até aqui, e assim, tentar mensurar o quão linda é a vida que eu venho com o tempo construindo.

Recordar o quão maravilhosos foram os momentos que eu já vivi. O quão encantadores foram os lugares que eu já conheci. O quão incríveis foram as pessoas que eu já encontrei e o quão inesquecíveis foram os momentos que eles estiveram do meu lado.

Desde que eu me mudei pra cá eu vivo com pouco e sorrio com muito. E esse é um dos maiores segredos da felicidade que eu aprendi aqui. Viver apenas com o necessário para sempre ter espaço para as pequenas e prazeirosas coisas da vida que estão por vir.

De todas essas coisas boas, o que fica são as lembranças, os aprendizados e é claro, as fotografias. Essas são então as minhas Fotografias de Bolso sobre o inicio da minha vida aqui na Europa.

1– Minha primeira foto em frente as portas coloridas irlandesas

2– Um caminhão de sorvete (Sim eles existem!)

3– Minha primeira neve aqui em Dublin

4-Balinhas com mensagens romanticas que encontrei no supermercado

 

5– Turistas que encontramos em um restaurante no St. Patricks Day

6– Meu Outfit pro 17 de março!

7– Temple bar na noite de St Patricks

8– Uma janela bonitinha que me fez refletir (ainda mais) sobre a beleza das coisas simples

 

10– Um fim de tarde iluminado no Rio Liffey – uma das minhas partes favoritas da cidade

11– Até hoje não tive sintomas algum de Homesick, mas em compensação já passei uma semana com febre de quase 40 graus

12– Mais um dia que acordei com neve – Quem foi que disse que não nevava em Dublin?

13– Me sentindo especial (e do lado de pessoas especiais) com os ovos de Páscoa que ganhei dos meus novos amigos

 

14 – Dois meses vivendo onde as postas e a minha alma são mais coloridas! <3

15– Um passeio pelo jardim do castelo de Dublin

16– Mais um item para a lista de coisas feitas na vida: Fui para um casting para uma série Viking

17– Sábado frio e de sol no Stephens Green com o Vitor

 

18 – A prova de que o mundo não só cabe na lente da minha câmera como na lente do meu óculos!

19– Lembrança da noite em que nós provamos (quase) todos os coquetéis do Pub

20– Nós e meia dúzia de taças tulipa

21– Uma das primeiras (e até agora mais difíceis) despedidas

 

22– Primeiros dias de primavera na Irlanda

23– Placa da cafeteria Brother Hubbard que define o meu estado de espirito nos últimos tempos

23– Maquininha de sementes da Galeria de Design da Trinity College

24– Carrosel em um domingo de pura diversão

 

25– Rua de guarda-chuvas que me rendeu boas fotos e boas risadas

26– Uma das imagens cotidianas que mais se parecem poesias

27– Reflexo da O’Conell Bridge que me fez pensar que eu moro dentro de uma pintura

28– Parecendo turista no bairro vizinho

29– Quando eu recebi meu Visto Irlandês

30– Um dos dias mais quentes que eu já presenciei aqui! Todo mundo deitado na grama aproveitando os quase 15 graus de sol e céu azul

31– Foto em um muro gracinha na Bow Lane vestindo Fruto da Imaginação

32– Arte de rua universal

♥ ♥ ♥ ♥ 

Todas essas fotos são imagens ilustrativas super sinceras do que vem acontecendo; Pois os melhores momentos são sempre aqueles que nós estamos ocupados demais se divertindo para nos preocuparmos em fotografar.

Sorte a que a minha memória poucas vezes falha : ‘)

Dia dezessete de março é sem sombra de dúvidas um dos dias mais esperados por aqui. É nesse mesmo dia, dezessete de março, que é comemorado um dos feriados mais importantes da Irlanda. Os Irlandeses (e milhares de imigrantes e turistas) celebram a memória de São Patrício, santo padroeiro que disseminou o catolicismo no país.

Não parece, mas o St Patricks Day é uma festa religiosa que com o passar do tempo foi tomando diferentes proporções. Hoje o St Patricks Day já passou ser visto como uma data cultural que mobiliza não só a Europa como também grande parte dos EUA (já que muitos irlandeses acabaram imigraram pros Estados Unidos) e do mundo.

Eu nunca duvidei das proporções da ansiedade dos Irlandeses quanto a essa data já que até eu, brasileira curiosa, desde que comecei a planejar a minha vinda para cá já estava praticamente roendo as unhas. Eu fiz questão de organizar tudo para estar de corpo e alma aqui em Dublin durante o St Patricks.

Eu sempre soube que fazer parte dessa festa seria uma experiência incrível mas não sabia o que esperar sobre esse dia, muito menos fiz questão de criar grandes expectativas. Me preparei para aquela quinta-feira comprando alguns acessórios estampados com shamrocks (trevos de três folhas) e mobilizando os meus amigos para juntos, festejarmos e descobrirmos o que a Irlanda tinha a nos oferecer.

Quando a tão aguardada data chegou, todo mundo saiu de casa bem cedinho para encontrar um bom lugar para assistir a parada de perto e aproveitar o dia ao máximo.

A festa do St Patricks começa sempre na parte da manhã com um desfile que conduz a cidade pelas mais tradicionais avenidas de Dublin e embora o St Patricks Day seja apenas uma vez no ano, ele é comemorado durante vários dias por aqui. A cidade ganha uma atmosfera super familiar e andando pelas ruas e pelos parques a gente vê famílias de todos os tipos unidas curtindo o feriado. Até parecia verão!

Muita gente (principalmente nós Brasileiros) acaba comparando a parada com o nosso carnaval ou com nossos desfiles de sete de setembro, mas a St Patricks Parade é diferente de tudo que a nós somos acostumados a ver.

Por minha sorte, esse ano a comemoração por aqui foi ainda maior. Eles comemoraram junto ao St Paddy’s Day os cem anos da Easter RisingCem anos do marco inicial da luta dos irlandeses contra a dominação Britânica que depois de 6 anos de guerra civil os levaram a independência.

Então vocês já podem imaginar. O orgulho estampado no rosto dos irlandeses se via de longe. Eu sempre tive a imagem dos Norte Americanos como os seres mais mais patriotas do mundo mas os Irlandeses na minha humilde opinião os superaram. Eles brilhavam vestindo as cores da bandeira.

O St Patricks de fato é uma festa que envolve MUITA bebida (quando eu digo muita bebida eu estou falando sobre 10km de barris de cerveja pra uma só cidade em um só dia! ), mas por incrível que pareça isso não o torna um dia/evento perigoso. Aqui na Irlanda é totalmente proibido beber na ruas e é tudo sempre muito bem policiado. Mesmo com uma grande quantidade de pessoas (bêbadas) por todo o canto, não se vê tumulto.

Foi uma experiência inesquecível e um das principais lembranças que irão ficar marcadas na minha memória (e no meu coração) sobre viver o St Patricks ao modo Irlandês é que nesse dia tudo é especial. A comida, as bebidas, os trajes.

Tudo é preparado com muito carinho pelos Irlandeses para nos receber. É uma festa que nos diz ”Olha como apesar de todo sofrimento que o nosso país já passou, nós fomos fortes, superamos e hoje vivemos felizes e de braços abertos pra acolher vocês! Somos um povo verdadeiramente cheio de sorte! Isso não é incrível? Vem cá, vamos beber essa juntos!”.

Se fosse preciso um resumo, eu diria que a festa foi tão verde, feliz e grande quanto a minha gratidão por ter vivido tudo isso tão de pertinho

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Eu sempre me sortuda e aqui no entre esses Irlandeses isso parece fazer ainda mais sentido! I’ve got the Luck of the Irish ♥

As coisas aqui na Irlanda acontecem muito rápido. Logo que cheguei já fiz amigos e já estávamos planejando uma série de passeios juntos.

Aqui Dublin costuma fazer muito frio na maior parte do ano mas normalmente não neva e por isso na hora de escolher o destino do nosso primeiro  juntos, decidimos ir pra um lugar onde nós, Brasileiros que passaram uma vida praticamente sem nenhum contato com a neve, pudéssemos conhecer – ou reencontrar- a neve e nos divertir.

Passamos quase uma semana analisando a previsão do tempo e chegamos a conclusão de que os últimos dias de neve em Wicklow (uma cidadezinha montanhosa aqui na Irlanda) estavam próximos. Era fazer o nosso passeio logo – no meio da semana- ou esperar pra ver neve na Irlanda no só ano que vem.Simples assim.

Durante uma refeição na cozinha de baixo  (lugar onde costumávamos nos reunir durante a noite) contratamos em uma terça feira um transfer para o dia seguinte. Dois carros -que nós buscariam na porta de casa- por vinte euros por pessoa.

O caminho até lá é curto, cheia de curvas (botem um remédio de enjoo na mochila!) e bem lindo. É possível ver pela janela do carro vários tipos de paisagens: lagos, florestas, ruínas, riachos, vales glaciais, terras agrícolas e claro, montanhas.

Sempre desejei morar em uma cidade que fosse cenário de filme, e quando percebi estava aqui,  do ladinho do condado de Wicklow, logo ao Sul de Dublin.

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Esse é Saint Kevin Cemetery! Ele foi fundado no séc XI em Glendalough, um vale antigo dentro do Wicklow Mountains National Park.

Um fato curioso: esse local já sofreu vários ataques Vikings e continua aí!

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Nesse parque existem caminhos que te levam a dois lagos: o Lower Lake e o Upper Lake. O Upper Lake como o próprio nome já diz, é maior e mais bonito. Rende boas fotos mas o frio não me deixou chegar até lá. :’ (

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Assim que saímos do National Park fomos até o lago Lough Tay, mas tinha tanta (mas tanta!) neblina que não dava pra enxergar praticamente nada. O lago Lough Tay é o lago que muita gente conhece como ”Guinnes Lake”. Ele recebeu essa fama porque é escuro com bordas claras como de uma cerveja Guinnes!

Depois que desistimos de tentar conseguir boas fotos no Lago da Guinnes fomos até o lugar onde Holly and Gery se viram pela primeira vez no filme PS. I Love You, nessa Bridge bonitinha.

Veja o clipe da cena clicando aqui!

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A última parada do nosso tour foi no Jonnie Fox, o pub mais alto e com certeza um dos mais peculiares da Irlanda.
O bar é decorado com vários objetos antigos e frases. Assim que entramos demos de cara com o fim de um funeral onde várias pessoas bebiam Pints ao som de música irlandesa.

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Amigos que eu fiz na Egali House agindo ”espontaneamente” pra foto

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Frase que eu mais gostei e que mais combina com a vibe do pub:  Não há estranhos aqui, apenas amigos que nunca se conheceram..

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Chapéus usados pela Garda (policia Irlandesa) em 1921

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Wicklow é um lugarzinho lindo! E você pode ver um pouquinho mais do condado indo até lá, assistindo os filmes Leap Year (Casa Comigo), Rei Arthur, O Conde de Monte Cristo e apertando o play no video do Vlog!

O nosso dia será sem dúvidas inesquecível, afinal não nevou em wicklow, mas nevou em Dublin!

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Enquanto escrevo esse texto eu comemoro em silêncio o meu primeiro mês na aqui Ilha da Esmeralda. Há exatos trinta dias eu deixei parte da minha vida e do meu coração do outro lado do mundo pra embarcar em um avião que me trouxe a uma realidade que eu sempre sonhei.

De uma forma resumida, nesses últimos dias eu andei vivendo e entendendo melhor o real sentido daquela frase que diz que o homem não pode descobrir novos oceanos até que tenha a coragem de se desprender da terra até não ve-la mais. Mesmo que tentasse por horas eu não seria capaz de encontrar definição melhor do que a do André Gide para esse tipo de sentimento, para essa minha atual situação.

Viver em um país diferente, receber milhares de novas informações a cada segundo e ter que aprender a conviver e lidar comigo mesma suprindo as minhas próprias necessidades (que antes passavam despercebidas) não tem sido a coisa mais fácil e linda do mundo, mas tem sido incrível.

A cada dia eu aprimoro ainda mais as minhas habilidades na hora de resolver e lidar (sem pânico) com os meus novos grandes problemas e isso me enche de orgulho. Sempre que algo totalmente inesperado acontece a vida já se encarrega de me relembrar que nada na vida dá errado e que não é por acaso que eu vim parar aqui. Aí mantenho a calma, paro de tentar ter o controle sobre tudo –porque aqui eu definitivamente não tenho controle sobre nada– e tudo fica bem.

Entre uma experiência e outra o meu sketchbook recebe cada vez mais anotações – desde a dicas de viagens, lista de super mercado até controle financeiro – e obviamente, entre algumas dessas páginas estão também aquelas minhas sinceras observações cotidianas.

Hoje eu resolvi juntar algumas delas e resumir pra vocês as minhas primeiras impressões sobre a minha nova vida aqui na Irlanda.

 

A cidade

A maioria dos dias em Dublin são cinzas e isso a faz uma cidade melancolicamente linda. Se eu fosse representar Dublin em forma de pessoa ela seria aquela mulher e/ou homem de comercial de margarina que acorda com o rosto amassado e vai até a cozinha pra te dar um abraço.

Aqui os trêns, ônibus, carros, bicicletas e pedestres são capazes de usar uma mesma rua praticamente ao mesmo tempo em sintonia.  A temperatura mais quente e a mais fria da semana podem acontecer em um mesmo dia e ninguém dá a minima pra chuva.

Depois de morar duas semanas por aqui você já começa a encontrar conhecidos nas ruas e nos supermercados e já começa marcar encontros em pubs com pessoas que encontra pelo caminho. Fim de semana é literalmente, todo dia depois do horário de trabalho.

De fato, Dublin não é a cidade dos sonhos de quase ninguém. Não tem Torre Eiffel, não tem Big Ben mas aqui temos o sentimento de estar um pouco mais pertinho de casa.

 

As pessoas

Uma vez ouvi dizer que os Irlandeses eram os Brasileiros da Europa e até chegar aqui não entendia isso muito bem. Hoje mesmo que sem ter tido tanto contato assim com irlandeses (eles não são maioria em Dublin), já vi que temos sim alguns pontos em comum.  Pra começar, ambos somos receptivos e adoramos uma festa. Eu me sinto a vontade aqui.

Eles também são atenciosos. A maioria das pessoas na rua param o que estão fazendo (motorista de ônibus, caixa de banco..) e te dão informação até você entender caso você não saiba onde está indo.

Quem trabalha no comércio sente prazer em te atender bem e mesmo que de alguma forma você não consiga se expressar, sempre vai ter alguém tentando te entender.

A palavra que mais se ouve pelas calçadas sem duvidas é a palavra Sorry. Todo mundo pede desculpas por qualquer coisa. Por esbarrar na rua, por passar na sua frente enquanto você olha alguma vitrine. Sorry por qualquer coisa mesmo quando a situação não tem um ”culpado”.

O que mais me assusta sobre os Irlandeses (e europeus em geral) é que eles comem sorvete andando pelas ruas mesmo em dias exageradamente frios.

 

O idioma

Dublin tem tanto brasileiro que os Irlandeses já são capazes de entender e conjugar verbos em português até mesmo no diminutivo. Não da pra falar nada em português achando que ninguém vai entender, porquê certamente alguém vai.

Sobre o meu inglês: Fiz  com muito sucesso um B.O. na policia (sozinha e em desespero) e recebi até elogios do policial, mas ainda sinto falta um pouco de vocabulário na hora de me expressar.

Os professores de inglês daqui já aprenderam a falar português e já possuem super conhecimentos gerais sobre várias partes do Brasil.  Eu vou voltar pra casa falando Inglês, expressões em Irlandês, frases prontas em diversas outras línguas e português com sotaque de todas as regiões do Brasil.

 

Os amigos

Quando cheguei aqui logo percebi que morar com mais de 20 pessoas diferentes em menos de 2 meses é algo super normal e aceitável. Antes se isso se passasse pela minha cabeça eu logo pensaria: loucura!

Ter alguém com quem poder contar e confiar é algo de extrema importância quando você está totalmente sozinho em um novo lugar. No Brasil essa pessoa certamente seria um amigo de infância, aqui a gente aprende que assa pessoa não precisa ser alguém que você conhece por muito tempo. Os laços são bem mais intensos.

A cada dia aqui é possível conhecer alguém novo, de um novo lugar, com novas culturas e isso é definitivamente uma das coisas que mais me encanta. É fácil assim: só ir até a esquina (ou a um pub) sorrindo.

No fim de uma noite (ou depois de algumas noites) é possível perceber que Cheers não é só uma saudação. Cheers é uma palavra cheia de afeto, Cheers é um estilo de vida.

 ♥ ♥ ♥ 

A aventura por aqui começou assim. Sentindo na pele o propósito da vida, aprendendo a desvendar o verdadeiro sentido da minha existência.

Todos os propósitos estão aos poucos sendo cumpridos.  A vida está que sendo vivida, as emoções estão sendo sentidas, o mundo está sendo explorado.